terça-feira, 31 de agosto de 2010

Não

É como uma passagem. Todos vindo de algum lugar e indo para o nada. Preocupam-se com o horário, com o tempo, com o clima, com a moda, com a velocidade e com os outros. Captam cada anormalidade e encaram tudo como a diversidade do mundo, como a vida. Quando enxergam as coisas não se esforçam, não pensam, não se mobilizam para mudar, olham tudo como fato. Caminhando e pensando em algo importante, em algo preocupante e totalmente dominante, apenas isso, nada mais. Idealizam o futuro, tentam imaginar o que se passa na mente alheia. Constroem inúmeros esteriótipos e julgam constantemente as pessoas ao seu redor. A vida, o futuro e as decisões seriam para o que ?
Escondidos no meio de tantas mentes alienadas, isoladas e doentes eles andam. A convivência, toda a naturalidade transpassada, o disfarce perfeito, as pessoas ideais. Na sociedade, na filosofia, nas ciências, nos discursos, no comportamento, é tudo influência, é ilusão. Correm para o quê ? Porque não se unem, não se misturam, não se cumprimentam ?
Uma só massa de mesmos componentes que se comporta de forma desigual, invisível. Em um mundo desse quem se transforma ganha, quem se liberta vive, a mutação não fará eles sofrerem.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Você

Eu sei o que me faz mal, eu sei o que me derruba e principalmente o que me afeta. A barreira que criei, as mudanças que fiz pra te tirar da minha cabeça, acredito que tudo tenha funcionado, pelo menos um tempo. Agora vem você de novo, precisando de mim, querendo ajuda pra viver, querendo a minha amizade e mais uma vez eu afirmo todas as coisas que me faziam sofrer, esqueço do sentimento guardado e me importo apenas com você e com a sua alegria. Eu falo sobre todas as coisas que me abalam com você, eu me torno vulnerável pra te ajudar, eu mexo na minha dor, no que há em mim, só para te fazer reagir. Cheia de cautela eu me esforço pra nada mudar, nenhum sentimento me afetar e permanecer como estou. Eu só quero te ajudar, eu só quero te ver bem , mas para isso eu não posso fazer nada que você não queira e isso me confunde, me agonia profundamente.

domingo, 1 de agosto de 2010

Algo assim

Algumas poucas pessoas aparentam ser mais resistentes e sábias quando se trata de sentimentos, de amor. Isso é admirável, considero uma virtude de ouro. Passei um longo tempo certa de que alguém assim teria vivido muito melhor as situações pelas quais eu passei. Achei que essas pessoas teriam uma estrutura emocional e sentimental melhor, considerei que elas aceitariam os fatos com uma incrível facilidade e que depois de uma semana tudo estaria resolvido e seria esquecido. Me enganei. Quando uma delas amou nada mudou, continuou sendo aquela velha história: amar, sofrer, chorar, lamentar, não suportar, sentir falta e afins. Todo mundo passa por isso, é estranho. Causa tanta dor, tanto arrependimento, tanta falta e tanto mal, não entendo como alguém possa considerar isso uma coisa boa. Talvez eu ainda não tenha ganho motivos pra entender tudo isso, mas acho que não consigo compreender como uma pessoa que não se considera masoquista goste do amor, desse amor intenso, do amor de casais, do amor de ''você é a minha metade'', do amor que une, do amor que desune, do amor que eu não encontrei, do amor que você procura, do amor incógnito. Acho que eu sou simplesmente incapaz. Mas afinal, as pessoas tem sempre um fundo estranho e masoquista.