terça-feira, 20 de abril de 2010

Todo Dia

Constante insegurança. Rodeada de medo, ela constrói um muro em torno de si. Tenta não se envolver, esconde as emoções, disfarça sentimentos e fantasia os movimentos. Deseja toda a invisibilidade e discrição pra si, abomina a opinião dos outros. Não se deixa envolver por completo na melodia, considera a cautela a sua melhor e única amiga. É uma covarde, tem medo de tentar, quer que tudo seja eterno e por isso deixa tudo como está. Trouxa, ela só quer o bem. O bem pra ela, pra ele, pra todos que se envolvem. O altruísmo confunde a sua cabeça, suas decisões lhe causam dor e sofrimento, mas não importa; ela ri, foi pelo bem dele. A sua auto-destruição não para, quanto mais confusão, mais dor, mais riso, mais satisfação. O masoquismo mental não tem limites em sua cabeça, mais sofrimento, uma forma alternativa de destruição. Idiota, não se contenta em passar o dia todo em torno dele. Quando chega a noite, o torpor toma conta, ela encosta a cabeça no travesseiro e pensa nele. Não passa um dia sem ele, sem pensar nele, sem respirar ele. Nos sonhos ela quebra todas as correntes diárias e suspende o muro que a cerca, ela se realiza e acorda feliz. Animada para viver mais um dia de privações, limites impostos por sua mente em seu próprio eu, em seu coração. Tola. Tanta ilusão, tanta dor, tantos limites, tudo por um garoto, um garoto incapaz de decidir faze-lá feliz. Garota burra, mal sabe ela que isso não importa pra ninguém, que tudo é inútil e não vai ser valorizado. Dias desperdiçados, lágrimas à toa, tudo em vão. Ela não nota, não dá ouvidos à ninguém. Logo ela entenderá como funcionam as coisas, vai questionar o amor, rever seus conceitos e levantar muitas dúvidas. Pobre garota,um dia vai se arrepender. Vai querer voltar no tempo e recuperar tudo aquilo que deixou passar. Vai se desesperar e notar que não adianta mais, que é preciso enterrar o passado e aproveitar tudo o que presente pode oferecer. Coitadinha, um dia ela aprende e nota que há muito tempo era isso que a vida tentava lhe ensinar, só ela não via.

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